Caos climático
- zonanortejornalpoa
- 30 de set. de 2023
- 2 min de leitura
O Cais Mauá deixou de ser Porto, virou Embarcadero. Até a língua, até a palavra trocaram, apagaram os embarcadouros. Dragar o lago Guaíba nem falar.
Em suas margens, vivem pessoas, mas o CUB delas, digo, sub-habitações, não conta. Os descartáveis de corpo e alma estão no meio dos descartes.
Província é província, e tem que copiar Dubai e Balneário Camboriú. Buscar os céus. Céus!
O minuano não deixará de ser minuano aqui no meridional do país.
O Guaíba sempre vai receber águas do Sinos, Gravataí, Caí e Jacuí. Este recebe do grande Taquari.
O vento sul sopra sempre na mesma direção.
A Natureza é assim. Ela tem os seus meios e manhas. Ela responde do seu modo. Não pede licença jamais.
Não muda. Se tiver que agir será com a sua força. Descomunal para qualquer humano que se acha acima de tudo e de todos.

O Guaíba transbordou em Porto Alegre. Foto de Joel Vargas | GVG | Divulgação
Já os humanos são... Ah, os humanos parecem não aprender.
Os seres que se acham superiores acabaram com a proteção das nascentes. Cortaram as matas ciliares. Plantam e plantam, a cada palmo, custe o que custar. Eles não tem limites, aí pedem limites para os ventos, tormentas, ciclones, El Niño, para as águas. Não tendo limites, esperam que a Natureza tenha!
Plantam soja na beirinha do asfalto. Sumiram as árvores estradeiras e protetoras.
As águas lavam as lavouras. Aumentam as voçorocas.
Eucalipto virou inço. Não importa, pois tudo é agro.
Açudes esquecidos ou nunca abertos. Cisternas são coisas do Nordeste.
Pobre Sul. Pobre Rio Grande do Sul. Pobre de nós.
Será que o Rio Grande vai acordar?
Vai continuar em berço nada esplêndido, pensando nas suas façanhas? Menos, né, menos...
As chuvas castigaram o Rio Grande do Sul, diz a imprensa.
Não vi nem senti castigo.
Vi infortúnios e desespero por culpa de nossa História.
O resto é o resto.

Adeli Sell é professor, escritor e bacharel em Direito
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