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No mês farroupilha, quero viver de bom humor

Não me espanto quando fantasiam uma criança com bombacha, chapéu e uma faca na cintura. Sei que os pais perderam a noção da infância; acreditam em mitos. Estão nos seus CTGs, nos seus piquetes; então, por que saber que o primeiro farrapo foi um nordestino e revolucionário chamado Cipriano Barata. Estão no seu Acampamento Farroupilha; não querem saber quem foi Tenente Alpoim, carioca, criador do Partido Farroupilha. Já Tito Lívio Zambecari, o conde carbonário italiano, quando muito, alguém lembra o nome da rua. Vosso Bento Gonçalves entra em cena bem mais tarde do que estes primeiros farrapos que não eram daqui.

A história é mais longa que novena. Vivia-se no Rio Grande do Sul tempos de brigas e encrencas.

Antes dos farrapos, houve quem quisesse uma nação da pampa sem fronteiras. Sepé Tiaraju não era apenas um indígena, Andresito Artigas, indígena também, queriam outro Rio Grande, não submisso, sem estar vinculado a Portugal ou Espanha.

Não sei como se comportaram os bombachudos na Expointer, em 2023. Em 2014, quando a dirigi, coloquei no palco todos os estilos musicais, respeitando a pluralidade do povo rio-grandense. Não sei como está a turma acampada no devastado Harmonia. Vou lá sim, mas desarmado, sem faca na cintura, à paisana.

Eu gostaria de puxar um debate sobre a Guerra de 1835/1845, sobre a Guerra Civil de 1893-95 e é claro sobre o centenário da guerra entre chimangos ladrões de eleições e a oposição dos maragatos. Talvez aí não fosse tão bem vindo.

Mas nada vai me tirar o bom humor de viver de bem com a vida aos 70 anos, dos quais mais de 50 neste solo de muitas façanhas.


Adeli Sell é professor, escritor e bacharel em Direito

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