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Ondas de calor e as implicações para os idosos

O fato é que a pessoa idosa é mais suscetível a temperaturas extremas, tanto as mais elevadas quanto as mais baixas, por isso devem estar atentas, inclusive familiares e cuidadores.

As ondas de calor vêm se tornando mais frequentes e mais intensas em todo o mundo, inclusive no Brasil. A literatura aponta que devido às mudanças climáticas episódios de calor extremo deverão ser ainda mais frequentes no futuro. Os idosos são mais vulneráveis ao calor extremo devido aos seus mecanismos termo regulatórios disfuncionais, além disso são mais propensos às doenças que envolvem os sistemas que regulam a temperatura corporal, como doenças respiratórias (DRSP) e cardiovasculares (DCV). Segundo a tese de doutorado de DINIZ, Fernanda Rodrigues\2022,“Ondas de calor e a mortalidade de idosos por doenças respiratórias e cardiovasculares nas capitais dos estados brasileiros: Uma análise no presente (1996-2016) e projeções para o futuro próximo (2030-2050) e futuro distante (2079-2099)”,  apontam que projeções futuras levantam a questão da quantificação da mortalidade para as hipóteses de adaptação e não adaptação ao clima futuro. As ondas de calor foram identificadas nas capitais brasileiras tanto no presente quanto no futuro utilizando a definição de que uma onda de calor é um período de pelos menos de três dias consecutivos com temperaturas máximas diárias acima dos limiares diários do 90º, 95º e 98º percentis da temperatura máxima do período climatológico de referência. Em média no Brasil, o risco de mortalidade de idosos por DCV é esperado aumentar em até 1257% em relação ao presente e por DRSP em até 1433% no pior cenário projetado.

O estudo aponta ainda que o Índice de Adaptação Urbana (UAI) mostrou que nenhuma capital brasileira atualmente possui um potencial adaptativo considerado ideal, sendo necessária a atenção de políticas públicas, principalmente, nas dimensões de habitação, gestão ambiental e respostas aos impactos climáticos para que o potencial adaptativo das capitais brasileiras aumente, podendo assim, evitar o aumento da mortalidade da população idosa nos próximos anos.

O que se pode fazer para proteger os idosos do calor.

Consumo de líquidos é essencial

Para prevenir a desidratação, é importante estimular o consumo de líquidos, principalmente de água. Para idosos que vivem com outras pessoas, é fundamental que esse consumo seja supervisionado. Em outros casos, é preciso que o idoso siga as orientações da equipe de saúde que o acompanha e não deixe de ingerir água, além de estar atento a possíveis sinais de desidratação para procurar o atendimento, caso seja necessário.

No verão, os idosos devem ter cuidados especiais com a hidratação, alimentação, roupas, exercícios físicos e ambientes ventilados.   

Hidratar é preciso!!

A questão da hidratação precisa ser levada a sério. As pessoas idosas tendem a ter a sensação de sede reduzida, além da dificuldade de troca de calor. Segundo ele, o mecanismo da sede pode estar reduzido na pessoa idosa, o que pode levá-la a uma diminuição na ingestão de líquidos e, por essa razão, há a necessidade de estimular esse consumo. “Artifícios como água saborizada, sucos leves, chás e água de coco podem ser usados, pois garantem a hidratação adequada”. Portanto, é importante evitar bebidas alcoólicas, cafeinadas ou muito açucaradas, pois podem contribuir para a desidratação. Alimentos ricos em água, como frutas, entre elas melancia, melão e laranja auxiliam na hidratação, assim como alguns vegetais, como pepino e abobrinha. “É fundamental estar atento a sinais como lábios e língua secos, diminuição da urina, alterações de comportamento, confusão mental, tontura e fadiga. Tudo isso pode indicar que o idoso está desidratado.”

Alimentação

Evitar alimentos pesados e de difícil digestão, como feijoada, carnes gordas, frituras, pizzas e massas.  Preferir frutas, verduras, legumes, cereais integrais e carnes brancas. Manter uma alimentação equilibrada, com refeições leves e balanceadas, ricas em frutas e vegetais com alto teor de água, evitando refeições pesadas que possam aumentar o desconforto térmico.

Alimentos ricos em água, como frutas, entre elas melancia, melão e laranja auxiliam na hidratação, assim como alguns vegetais, como pepino e abobrinha. “É fundamental estar atento a sinais como lábios e língua secos, diminuição da urina, alterações de comportamento, confusão mental, tontura e fadiga. Tudo isso pode indicar que o idoso está desidratado.”

O armazenamento adequado dos alimentos precisa de atenção a fim de prevenir intoxicações alimentares, que são comuns no Verão.

Roupas

Usar roupas folgadas, leves e frescas, de preferência em tecidos claros que facilite a transpiração. use um chapéu ou boné. E, não se esqueça dos óculos escuros, de boa qualidade para não prejudicar os olhos.

Exercícios físicos

Já as atividades físicas devem ser realizadas apenas nos horários mais frescos, como início da manhã ou final da tarde, dando preferência a exercícios leves, entre eles caminhadas, alongamentos e hidroginástica. “Mesmo com a temperatura mais amena, não se pode abrir mão da garrafa de água para manter a hidratação”, momentos de socialização em ambientes seguros e frescos devem ser incentivados com o intuito de evitar o isolamento, algo comum em períodos de calor extremo. Incentivar atividades relaxantes que não exigem esforço físico excessivo, como leitura, jogos de tabuleiro e assistir filmes cumprem muito bem essa tarefa. 

Ambientes ventilados

Outro ponto importante é a temperatura. Manter a pessoa 60+ em ambientes frescos e ventilados é outro cuidado fundamental para garantir a melhor qualidade de vida durante o Verão. Assim, o uso de ventiladores ou ar-condicionado estão liberados, principalmente para evitar que os locais fiquem abafados, especialmente nos dias mais quentes. Em caso de uso de Ar-Condicionado fazer manutenção periódica para garantia de uma qualidade do ar adequada. E caso o idoso não tenha acesso a ambientes climatizados, vale um passeio a espaços públicos refrigerados, como shoppings.

Exposição ao sol

Evitar caminhadas exposto ao sol, procure caminhos pela sombra. Não o expor ao Sol durante o horário de pico, entre 10h e 16h, além do uso de protetor solar com fator de proteção alto (FPS 30 ou superior) em todas as áreas expostas da pele, mesmo nos dias nublados. se deve atentar aos sintomas desse aumento da temperatura. Entre os mais comuns estão a tontura, a dor de cabeça e o mal-estar. “Estes sintomas podem evoluir para situações mais graves, como desmaios e crises convulsivas. Por isso, todo cuidado e atenção são necessários.”

Outros cuidados

Idosos acamados:

“Para os idosos acamados ou como mobilidade reduzida, a família ou os cuidadores devem mudá-los de posição várias vezes ao dia para evitar desconforto e lesões na pele. Além disso, é preciso checar se o colchão e as roupas de cama são confortáveis  e ajustada ao leito de forma que não fique dobras salientes, e estão de acordo com a estação, redobrando os cuidados com a hidratação e a ventilação do ambiente.”

Prestar atenção a sinais de desidratação, como tontura, dor de cabeça, lábios secos e mal-estar.

O que fazer quando surgirem os sintomas?

Cãibras, esgotamento pelo calor (sede, cansaço, dor de cabeça, suor, palidez, náuseas, vômitos, desmaio): repousar em local fresco; não realizar atividades que exijam esforço físico; beber líquidos.

Insolação (pele vermelha, quente e seca, sem suor, pulso rápido, dor de cabeça, tontura, confusão ou agressividade, temperatura do corpo elevada, perda de consciência e até convulsões): procurar imediatamente assistência médica; até à chegada do atendimento médico, colocar a pessoa em local fresco ou refrigerado e tentar baixar sua temperatura com banhos frios, compressas de gelo, esponjas molhadas, ou envolver o corpo em lençóis molhados.

“Pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, renais e diabetes: procurar ajuda médica imediatamente!”


Maria da Graça Machado Munareto

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