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Palácio Piratini

O passado não reconhece o seu lugar: está sempre  presente...

            Mário Quintana

Já tinha visto em algum lugar, mas minha generosa amiga Sônia Zanchetta me presenteou com o livreto “Palácio Piratini”, uma edição de 1980, pela IEL - Instituto Estadual do Livro. Era o governo Amaral de Souza, e o Secretário de Cultural Lauro Pereira Guimarães.

O atual Palácio como o antigo se localiza entre a Catedral Metropolitana e a Casa da Tesouraria da Real Fazenda, depois Assembleia, e atualmente Memorial.

O velho Palácio ficou ali de 1789 até 1896 quando começou sua demolição para que se fizesse o atual Palácio.

Obra do artista plástico Herrmann Wendroth, de 1852.
Obra do artista plástico Herrmann Wendroth, de 1852.

Só foi ocupado, de fato, em maio de 1921, ou seja, 25 anos depois.

Em termos de delongas, de gastos e problemas foi um caso que podemos classificar como “exemplo péssimo”.

Ao estudarmos esta longa trajetória de atrasos, temos a convicção de que o projeto que foi implementado foi o melhor e é uma grandiosa obra.

O custo estimado inicialmente foi de 2.000 contos de réis. Até 1930, já ao final do governo Vargas, pois obras ainda estavam sendo feitas, os gastos chegaram a 7.440 contos de réis, ou seja, quatro vezes o estimado.

E muitas coisas foram sendo feitas posteriormente com aumento de gastos.

Parte do mobiliário e dos objetos de arte foram sendo acrescentados e as magníficas obras murais de Aldo Locatelli contratadas somente em 1951 custaram 1.175.000 cruzeiros.

Cabe lembrar que foi aberto um concurso na França para o projeto arquitetônico que custou 5.400 francos, ou seja, mais de 30.000 reais com certeza em valores da atualidade. E o projeto não foi aproveitado.

Foto de Ricardo André Frantz
Foto de Ricardo André Frantz

O projeto contratado foi com o arquiteto francês Maurice Grass que para cá veio para conhecer o terreno e tudo indica que acertou em cheio o projeto, recebendo a bojuda quantia de 10% sobre o orçamento.

O mais entusiasta da obra foi o governador castilhista Dr. Carlos Barbosa (Gonçalves), médico, que governou entre 1908-1912, tendo o Eng. Cândido José de Godoi, como seu Secretário de obras, cujo nome denomina importante escola estadual do IV Distrito.

Depois dele se envolveu novamente o conhecido engenheiro Pereira Parobé (que dá nome a importante escola técnica da cidade e ao nosso terminal de ônibus. Com sua morte assume interinamente o médico Protásio Alves e em seguida o engenheiro Ildefonso Soares Pinto.

Houve também muita disputa sobre os materiais usados, pedras vindas da França que levou os fornecedores dos morros de Teresópolis a quase uma guerra, porém seus preços eram quatro vezes mais.

Os belos móveis que nos encantam até hoje foram feitos pelos presos na Casa de Detenção, logo sem custos adicionais ao governo. Digno de nota.

As arengas foram grandes, mas estamos na atualidade, passo mais de um século com um belo Palácio.

Na vida nada é linear, nada está totalmente sob controle, nada será exatamente como queremos é o que se viu com nosso Palácio.  



ADELI SELL é professor, escritor e bacharel em Direito

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